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Sustentabilidade na carreira: crescimento acelerado ou gradual?

  • Foto do escritor: Gisele Vidal
    Gisele Vidal
  • 24 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura
Uma muda verde e jovem com duas folhas cobertas de gotículas de água brota de uma camada espessa de solo úmido e escuro, revelando uma seção transversal de raízes finas e brancas por baixo. Ao fundo, desfocado, vê-se o planeta Terra no lado direito e, no lado superior, o rastro de luz de um foguete ou satélite subindo em direção ao espaço, sugerindo um tema de crescimento, sustentabilidade e exploração


Recentemente, li o post de um VP de uma grande empresa no LinkedIn afirmando que "quem não cresce rápido, fica para trás e pode ser substituído". Se essa pressão por aceleração soa familiar para você, saiba que não está sozinho.


A escolha entre crescer gradualmente ou aceleradamente é profundamente individual. Para sustentabilidade na carreira, talvez o mais importante seja entender que você não precisa estar sempre nesse ritmo acelerado, nem se manter em empresas que o forçam. O crescimento na carreira pode e deve respeitar o seu tempo, o seu momento de vida e, principalmente, a sua capacidade de gerenciar as emoções.


Kim Scott, autora reconhecida por suas abordagens práticas em liderança e desenvolvimento, fala sobre dois tipos de crescimento de carreira: o gradual e o acelerado. Eles não são caminhos em disputa, mas sim trajetórias diferentes que cada pessoa pode optar conforme sua realidade. Antes de tomar essa decisão, é fundamental entender o que cada um representa e quais sentimentos podem emergir ao longo da jornada.


Crescimento Gradual: construindo uma carreira sólida e sustentável


Imagine que sua carreira é uma casa. O crescimento gradual é a construção sólida do alicerce e das paredes firmes. Esse ritmo prioriza o desenvolvimento contínuo de habilidades, o aprendizado profundo e a maturação da confiança para assumir desafios maiores.


É comum que as pessoas que escolhem esse caminho valorizem a estabilidade emocional, o autoconhecimento e a preparação cuidadosa para funções futuras. Optam por essa trajetória profissionais que preferem consolidar suas competências e construir uma reputação baseada em resultados consistentes ao longo do tempo.


Aspectos emocionais do crescimento gradual:


  • Segurança ao dominar cada etapa, reduzindo a ansiedade sobre mudanças abruptas.

  • Confiança crescente construída com solidez e tempo.

  • Pode haver dúvidas internas sobre "não estar crescendo rápido o suficiente", que devem ser acolhidas e trabalhadas.


Tenho clientes que acompanho que, por exemplo, preferem acumular experiência em diferentes funções e aprofundar suas habilidades técnicas. No geral, eles tendem a focar na qualidade do trabalho e na construção de um legado.


Crescimento acelerado: riscos, recompensas e o perigo da síndrome do impostor


O crescimento acelerado é como quem opta por se movimentar como um foguete: rápido, intenso e cheio de energia. Envolve alcançar promoções rápidas, assumir novos desafios e ganhar maior visibilidade em curto prazo. Para alguns, essa trajetória traz uma sensação constante de realização e motivação.


No entanto, essa velocidade vem acompanhada de pressões emocionais importantes: o medo de não estar preparado, a cobrança interna e externa, e o risco de burnout. Neste modelo, a motivação por desafios domina e exige “estômago” e uma alta habilidade emocional para lidar com as tensões.


Aspectos emocionais do crescimento acelerado:


  • Excitação intensa com os novos desafios.

  • Pressão constante para entregar resultados.

  • Medo do fracasso nas novas responsabilidades e possibilidade de sentir-se sobrecarregado ou inseguro.


O lado positivo é que o avanço em cargos e salários vem mais rápido. Contudo, esse modelo tem um lado B que precisa ser cuidadosamente analisado. Ele fomenta um comportamento de "sempre ligado", exigindo, muitas vezes, um sacrifício da vida pessoal e do aprendizado profundo. Em vez de consolidar competências, o foco pode recair na aparência de produtividade, resultando em conhecimento superficial, maior risco de erros estratégicos e, ironicamente, uma sensação crônica de insuficiência, característica da síndrome do impostor.


Como escolher o ritmo de crescimento para sustentabilidade na carreira


Essa decisão não é simples porque envolve muito mais do que a razão; ela engloba sentimentos, valores pessoais e o que estamos prontos para enfrentar emocionalmente.


Para ajudar nessa escolha, vale refletir sobre:


  • Quem você é: seu perfil, sua capacidade de lidar com pressão e seus valores inegociáveis.

  • Onde você quer chegar: suas metas profissionais e seus sonhos de equilíbrio de vida.

  • O que sua mente e corpo dizem: ansiedade, estresse e satisfação são sinais importantes.

  • O contexto ao seu redor: a cultura da empresa, o mercado e as oportunidades disponíveis.


Também é importante equilibrar a ambição de crescimento com a sustentabilidade da carreira, reconhecendo que momentos diferentes da vida profissional pedem ritmos distintos, e que estes devem ser sincronizados com os acontecimentos importantes da vida pessoal.


O crescimento acelerado pode ser altamente benéfico e até necessário em fases iniciais, quando a absorção de conhecimento e o investimento total em novas funções são possíveis, assumindo grandes desafios para construir uma base robusta.


Por outro lado, o crescimento gradual se torna mais estratégico e interessante não apenas em estágios avançados (onde a profundidade da expertise e a liderança madura são cruciais), mas também durante períodos importantes da vida familiar ou pessoal, como o nascimento de um filho, a dedicação a um projeto de saúde, ou o cuidado com parentes. Adotar um ritmo gradual nesses momentos é uma decisão de carreira inteligente, pois permite a consolidação do conhecimento e o desenvolvimento de habilidades complexas sem comprometer o bem-estar e as responsabilidades pessoais. O segredo está em adaptar o ritmo não só aos objetivos profissionais, mas principalmente à fase atual da sua vida.


Conclusão: a importância de escutar seu ritmo interno


Por fim, deixar que o ritmo externo, seu chefe ou a cultura de sua empresa dite a sua trajetória pode ser um caminho desgastante e pouco autêntico. Ao invés disso, convido você a escutar sua voz interna, seus sentimentos e necessidades.

Cada passo, seja ele rápido ou pausado, pode ser significativo desde que feito com consciência e alinhamento com quem você é.

 

Como posso te ajudar neste processo de caminhada rumo a uma carreira sustentável:



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